“Novos e mais robustos consensos científicos mostram que estaremos diante de sérios riscos, se as temperaturas globais ultrapassarem o patamar de 2ºC acima dos níveis pré-industriais. Vários povos ao redor do globo já sentiram os efeitos, mesmo com um aumento de temperaturas acima de somente 0,7ºC – tempestades mais fortes e freqüentes, derretimento de geleiras, ondas de calor e secas. Para mitigar tais riscos, serão necessárias políticas efetivas que reduzam as mudanças climáticas antes das emissões de carbono aumentarem a tal ponto de tornar muito difícil sua reversão. Ultrapassar o patamar de 2ºC é perigoso. Todos os países precisam agir para prevenir o problema, de acordo com o princípio encontrado no Protocolo de Quioto de responsabilidades comuns, porém diferenciadas. Todos sabemos que para os países industrializados, responsáveis pela maioria das emissões históricas de carbono, a responsabilidade – e em última instância, a obrigação – está clara. Para países em rápido desenvolvimento, como o Brasil, é imperativo que ações focadas na redução das emissões de carbono – ou descarbonização – não comprometam a redução da pobreza e do desenvolvimento.” Prof. Dr. José Goldemberg Doutor em Física, Professor da Universidade de São Paulo
“Europe´s energy chief has unveiled his grand vision for a shared €1 trillion (£862 billion) EU energy network which would reduce the bloc's reliance on unreliable fossil fuel sources In the longer term, these issues are compounded by the EU decarbonisation goal to reduce our greenhouse gas emissions by 80-95% by 2050, and raise the need for further developments, such as an infrastructure for large-scale electricity storage, charging of electric vehicles, CO2 and hydrogen transport and storage. It is therefore crucial to keep in mind the longer term objective”. Communication from the Commission to the European Parliament, The Council, The European Economic and Social Committee
"Uma razão para o gradual crescimento dos renováveis é simplesmente econômica: enquanto os custos do combustível fóssil está crescendo, os custos da tecnologia para energia renovável está caindo. E com os renováveis não há custos de combustíveis nem emissão de carbono." Mohamed El-Ashry Chefe da Renewable Energy Global Policy Network REN21
À luz do conhecimento atual, face às perspectivas de esgotamento das fontes energéticas não-renováveis, ressalta-se a necessidade de se repensar o processo de desenvolvimento econômico de forma a não comprometer o atendimento à demanda das gerações futuras. A solução para os problemas mencionados acima vai incluir uma mudança substancial em relação ao modelo de produção, consumo e desenvolvimento. Para isso, será necessário envolver diversos setores: ser humano, sociedade, empresas e governantes. A mudança do modelo de desenvolvimento para a redução do impacto ambiental deve ser vista como uma política de Estado. Talvez o maior desafio que enfrentamos seja a mudança de uma economia energética baseada no carbono (carvão, petróleo e gás natural) para o hidrogênio, saindo basicamente dos combustíveis fósseis para fontes renováveis de energia, como a biomassa, solar e eólica.
Dentro desse contexto, desenvolvemos a obra Energia Renovável – Renewable Energy dentro de um estudo moderno e atualizado com os últimos dados do Aquecimento Global e a Política Internacional de Reduções de Emissões dos Gases Causadores do Efeito Estufa, expondo as Tecnologias das Energias Renováveis – Eólica, Solar e Fotovoltaica, Mares, Oceanos, Hidroelétrica, Geotérmica, Nuclear e Hidrogênio e principalmente a Biomassa – Wood Chips, Wood Briquete e Agro Briquete e Wood Pellets e Agro Pellets de Bagaço de Cana. A energia renovável, combinada ao uso racional e eficiente de energia, será capaz de suprir metade da demanda energética global até 2050. O presente relatório, “[r]evolução energética – Perspectivas para uma energia global sustentável”, conclui que a redução das emissões globais de CO2 em até 50% nos próximos 43 anos é economicamente viável, e que a adoção maciça de fontes de energia renovável também é tecnicamente possível – falta apenas o apoio político para que isso ocorra.
Os signatários de Kyoto negociam atualmente a segunda fase do acordo, que abrange o período de 2013 a 2017, no qual os países industrializados deverão reduzir suas emissões de CO2 em 18% em relação aos níveis de 1990; no período entre 2018 e 2022, a redução deve aumentar para 30%. Apenas com esses cortes teremos chance de manter o aumento médio da temperatura global abaixo do limite de 2°C. Caso o aumento da temperatura ultrapasse os 2°C, os impactos da mudança do clima serão incontroláveis. As energias renováveis poderiam suprir 35% das necessidades mundiais de energia até 2030, considerando a vontade política de promover sua aplicação em larga escala, em todos os setores e de forma global, unida a medidas de eficiência energética de longo alcance. Este livro ressalta que o futuro do desenvolvimento das energias renováveis dependerá fortemente de escolhas políticas feitas hoje por governos nacionais e pela comunidade internacional. Ao optar por energias renováveis e eficiência energética, países em desenvolvimento podem virtualmente estabilizar suas emissões de CO2 e, ao mesmo tempo, aumentar o consumo de energia através do crescimento econômico.
Os países da OCDE terão que reduzir suas emissões em até 80%. Importante expor que os investimentos em energias renováveis devem atingir, entre 2011 e 2030, $450 bilhões, aumentando para mais de $600 bilhões por ano a partir de 2020. A performance geral do setor durante 2007 e em 2008 mostra um bom caminho para se atingir estes níveis. O mercado de produtos e serviços verdes do Reino Unido, que vale quase R$ 1 trilhão, já emprega cerca de 900 mil pessoas, diretamente ou na cadeia de oferta mais ampla. O Reino Unido vê a transição para uma economia verde, de baixo carbono, como importante oportunidade comercial e de emprego. A visão do Reino Unido é a de uma economia verde, de baixo carbono, com empregos gerados pelas novas tecnologias e mercados do futuro Com o mercado global de produtos de baixo carbono previsto para crescer 4% ao ano até 2015, temos oportunidade tremenda para assegurar que nosso futuro econômico seja baseado em bens e serviços verdes, de baixo carbono, que estimulem o crescimento, gerem empregos, combatam as mudanças climáticas e fomentem a segurança energética. As projeções do IEA (Institute of Energy Analysis da OCDE) para 2050 são apenas uma extrapolação das tendências atuais e apontam para um mundo inaceitável em 2050.
De acordo com o IEA, um montante de US$20 trilhões é esperado como investimento para suprir a demanda energética mundial até 2030. Se tais investimentos não forem feitos de uma forma consciente no que diz respeito ao clima, as emissões de gases estufa devem aumentar em 50% até 2050, enquanto a ciência nos diz que essas emissões devem ser reduzidas em 50% até 2050. Os ativos financeiros na India cresceram significativamente, para $2.5 bilhões, em maior parte devido a 1.7GW em novos projetos de energia eólica.. O investimento em capacidade renovável não-hidráulica na China aumentou mais de quatro vezes, para $10.8 bilhões, e a nova capacidade eólica dobrou para 6 gigawatts. O Brasil precisa se inserir no promissor mercado das energias renováveis. A expansão desse mercado no Brasil, no entanto, só é possível a partir do desenvolvimento de uma política efetiva de incentivo industrial e do uso (comercial, residencial e industrial) de fontes alternativas de energia. Nosso país possui um enorme potencial a ser explorado em energias renováveis, com o qual poderá gerar energia limpa para as atuais e futuras gerações, garantir novos empregos e dividendos financeiros e tributários e ajudar no combate mundial às mudanças climáticas, com a redução da emissão de gases de efeito estufa.
A diversificação da matriz energética, além de abrir novas oportunidades para a indústria, é uma necessidade do País. Para tanto, deve-se estabelecer uma estrutura regulatória sólida, vinculada à criação de uma política consistente de incentivo que permita o seu crescimento constante nas próximas décadas, contemplando o uso industrial de biomassa para fins de energia (woodchips, biomassa, pellets, agropellets e briquete), parques eólicos, energia solar, centrais termelétricas a biomassa e gases provenientes do tratamento de esgotos e resíduos urbanos sólidos. A consolidação de um mercado de renovável consistente só será possível com o estabelecimento de uma política nacional para energias renováveis que esperamos que venha em acontecer nos próximos anos. Nossa publicação é uma importante contribuição para o debate brasileiro sobre fontes renováveis de energia e um vasto material técnico nacional e internacional sobre a Biomassa, Wood Chips, Wood Pellets e Briquete. A utilização de biomassa para aproveitamento energético é de notável importância, é considerada uma fonte alternativa de energia e também uma solução de um grande problema ambiental e econômico que é a disposição final de resíduos gerados nas mais diversas atividades do setor agrícola brasileiro. Aumentar a diversificação da matriz energética de um país e reduzir sua dependência de combustíveis fósseis é uma medida estratégica importante para a garantia de suprimento de energia. Outra vantagem é a diversificação da matriz energética incluindo fontes alternativas de energia, e também consideradas sustentáveis. Essa fonte de energia pode ser considerada um dos potenciais de MDL como fontes alternativas de energia: co-geração, gás natural e biomassa.
A biomassa pode ser encontrada de várias formas como potencial energético como: os resíduos culturais agrícolas e florestais, resíduos industriais e plantios energéticos e florestas nativas. No documento intitulado “White Paper for a Community Strategy”, elaborado pela European Comission´s são claras as intenções da Comunidade Européia em dobrar a quota de fontes renováveis no consumo total de energia doméstica. No caso da biomassa, isto representa um incremento de 90 milhões de toneladas em óleo equivalente. Na União Européia, países como a Finlândia, Suécia, Áustria, Dinamarca e Alemanha já possuem programas bastante avançados de produção de energia elétrica a partir de biomassa. Na Finlândia, Suécia e Áustria a bioeletricidade representa um grande suprimento de energia primária. A política energética do governo finlandês tem como objetivo criar condições de assegurar o fornecimento de energia, manter os preços competitivos e possibilitar o cumprimento dos compromissos de redução das emissões. Para tanto, foi criado um amplo programa de governo, no sentido de promover a utilização de energias renováveis, que contempla: isenção de taxas para consumidores de combustíveis derivados de biomassa; subsídios à produção de eletricidade a partir de biomassa; financiamento de investimentos em projetos de conservação da energia, eficiência energética, redução de impactos da geração, aquisição de equipamentos para produção de cavacos, etc.; subsídios para produtores de combustíveis de origem florestal (plantações florestais destinadas à produção de biomassa para a geração de eletricidade); suporte financeiro do governo para o desenvolvimento e comercialização de tecnologia.
Na Alemanha, visando o incentivo do uso da biomassa na geração elétrica, o governo criou uma lei de subsídios à implantação de projetos de até 20 MW (que excedam a uma eficiência mínima viável), denominada “biomass law”. Política semelhante vem sendo adotada no Reino Unido, onde já existe um grande número de plantas à biomassa em fase de planejamento ou em construção. Um importante projeto que merece destaque é o Arable Biomass Renewable Energy – ARBRE, implantado em Yorkshire, Reino Unido. Este projeto foi concebido com a finalidade de se tornar a primeira planta comercial (10MW) a partir da Gaseificação Integrada da Biomassa em Ciclos Combinados (Biomass-Integrated Gasification Combined Cycle – B-IGCC). A planta é alimentada por resíduos de cultivo de willow. Países como a Índia, Tailândia e China também têm criado mecanismos de incentivos a projetos baseados na geração elétrica com biomassa. Na Austrália, foi criado o Renewable Energy (Eletricity) Act 2000, que define uma política de expansão da geração elétrica a partir de fontes renováveis. Essa política especifica os resíduos florestais e as plantações energéticas de curta rotação como as principais fontes de insumos para a geração de energia renovável. Nos Estados Unidos a biomassa é uma importante fonte energética com a utilização de resíduos industriais para autogeração. Finalmente tratamos de dois temas que estão revolucionando o mercado internacional de energia.
A Brasil Biomassa e Energia Renovável em conjunto com a Associação Brasileira das Indústrias de Biomassa e Energia Renovável desenvolvem dois projetos técnicos que receberam elogios da comunidade internacional: Agro Briquete com o uso de resíduos agrícolas como o Caroço do Algodão, Milho, Casca de Café, Coco, Babaçu, Casca de Cacau, Açaí, Casca de Arroz, Caju, Caroço de Pequi, Resíduos de Palha e Bagaço de Cana, Braquiária, Casca de Pinus e Eucaliptos, Pó de Fumo e Capim Elefante; e o Agro Pellets de Bagaço de Cana. A produção do Agro Pellets a partir do bagaço de cana possui diversas vantagens econômicas. A principal vantagem é que esse processo se torna uma terceira fonte de receita das usinas que a utilizam, podendo gerar até uma quarta fonte renda, a emissão de créditos de carbono sob as regras do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), créditos estes comercializáveis em bolsas de valores. O principal diferencial do aproveitamento do bagaço da cana é a importância de ser uma energia limpa e renovável que pode contribuir com a redução na emissão de gases que provocam o efeito estufa. E o mercado de Pellets na Europa tende a crescer de forma geométrica nos próximos anos: “According to the European Biomass Association, it is expected that Europe will reach a consumption of 50 million tons per year by 2020. .These players must not be underestimated, however, especially countries such as Brazil. With the availability of raw material, and well-established wood and paper industry, it will be a matter of time for Brazil to become a key player in the wood pellets market.”
Portanto, nossa obra demonstra que, com uma política mais agressiva em eficiência e implementação de mais fontes de energia renovável o Brasil pode incrementar sua segurança energética, gerar milhões de postos de trabalho, enquanto contribui com os esforços globais contra as mudanças climáticas. Com o conjunto certo de políticas, e com a adesão forte do setor privado, o Brasil tem a possibilidade de se tornar uma potência ambiental no século 21.
Celso Marcelo de Oliveira Diretor da Brasil Biomassa e Energia Renovável Presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Biomassa e Energia Renovável
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